VIVENDO ALÉM DAS APARÊNCIAS
ALÉM DAS APARÊNCIAS
Apocalipse 3:17-18. “Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta (e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu), aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças, e vestes brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e unjas os olhos com colírio, para que vejas”
A Igreja do Senhor tem sido alertada: “Sabe porém isto: nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos, porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incotinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, TENDO APARÊNCIA DE PIEDADE, mas negando a eficácia dela. Destes AFASTA-TE. (2 Tm. 3:1-5)”
Sabendo desta verdade, a Igreja precisa de discernimento para identificar os lobos que nos vêm travestidos de ovelhas. Mas como identificar estes que tem APARÊNCIA e não são?
A Palavra de Deus nos diz que não devemos atentar para a aparência, porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração (I Sm. 16:7). Em outras palavras: O que pensamos que é, só Deus realmente sabe se é. O que vemos não é suficiente para conhecermos.
A preocupação em conhecer não se restringe somente aos outros, pois que nem ainda a nossa própria visão acerca de nós mesmos é confiável, pois nos diz a Bíblia que enganoso é o coração do homem, quem o conhecerá. (Jer. 17.9).
Vemos no texto base deste estudo que dentro da Casa de Deus existem crentes pensando que são ricos espiritualmente e que de nada têm falta, quando na verdade o seu estado é bem diferente (pobre, miserável, cego e nu). A visão que têm de si mesmo é uma e outra é a que o Senhor vê neles. Estes também precisam de discernimento, de conhecer, mas, muito mais de se conhecer.
Necessário se faz, desta forma, submeter alguém ou nós mesmos a um raio-x de Deus para verificar se as intenções e motivações estão no centro da vontade de Deus.
1. O PERIGO DA APARÊNCIA.
Na limitação da nossa visão, cometemos equívocos. O profeta Samuel, na passagem descrita em 1 Samuel 16:1-13, foi enviado por Deus para ungir um dos filhos de Jessé, o belemita, rei sobre Israel. Ao ver Eliabe, um dos oito filhos de Jessé, Samuel pensou: “… Certamente está perante o Senhor o seu ungido (versículo 6)”.
Mas Eliabe não passou no raio-x de Deus. Tendo o Senhor falado a Samuel: “Não atentes para sua aparência, nem para altura da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração (versículo 7).
Samuel era um profeta acostumado desde a meninice a ouvir a voz de Deus; um servo que seguia exatamente o mandar de seu Senhor e que nada fazia sem antes consulta-lo. Apesar de todo o seu preparo espiritual Samuel precipitou-se ao ter um preconceito acerca de Eliabe, pensando ser ele o escolhido para reinar sobre Israel, motivado pela aparência.
PARECIA QUE ELIABE ERA, MAS NÃO ERA!
Muitos em nossos dias têm cometido equívocos por confiarem na aparência exterior. Ouvi um caso em que um suposto pregador itinerante chegou até uma de nossas igrejas e apresentou-se ao pastor que lhe deu oportunidade para pregar no culto festivo à noite. O desempenho eloqüente do pregador promoveu histeria e admiração por parte da igreja. Após o culto o homem pediu ao pastor para dormir nas dependências do templo, não tendo o pastor colocado objeções. Resultado: Na manhã do dia seguinte o pseudo-pregador tinha ido embora levando consigo equipamentos de som que a igreja a muito custo havia adquirido.
Aquele homem parecia um pregador, mas não era. A sua eloqüência foi suficiente como credencial, como carta de recomendação e suas intenções escusas não foram detectadas pela igreja.
Paulo aconselhando a Timóteo acerca do perfil de um verdadeiro diácono recomenda: “E também estes (candidatos a diáconos) sejam primeiro provados, depois sirvam, se forem irrepreensíveis.” (1 Tm. 3:10). Recomenda ainda: “ A ninguém imponhas precipitadamente as mãos… (1Tm 5:22 a)
Devemos submeter tudo e todos ao exame de Deus e agir com prudência. A Palavra de Deus diz: “O simples dá crédito a cada palavra, mas o prudente atenta para os seus passos.” (Prov. 14:15).
Jesus nos recomendou que devemos ser prudentes como as serpentes, pois que somos enviados como ovelhas ao meio de lobos. Prudência e cautela devem ser nossas ferramentas ao lidarmos com pessoas, especialmente as que conhecemos apenas superficialmente.
Disse um pregador, certa feita, que só podemos afirmar que conhecemos de fato alguém quando comermos juntamente com ela uma saca de sal. Imagine você: Uma pitada hoje, amanhã outra… Certamente muitos dias, ocasiões e experiências vividas embaixo do mesmo teto terão passado até que se esgote uma saca de sal de 30Kg. Tempo suficiente para analisarmos os frutos na vida daquela pessoa e verificar como se porta ante as situações que se apresentam e assim ter uma idéia de seu caráter cristão.
Só Deus vê as intenções mais íntima e só Ele pode nos dá o diagnóstico final.
Dizem que a primeira impressão é a que fica. No nosso caso a impressão que deve ficar é a que Deus revela através do discernimento do Espírito e até que este dom se manifeste na Igreja, devemos com cautela analisar os frutos para ter idéia da árvore com a qual estamos lidando, sob pena de, se negligenciarmos este cuidado, entregar pérolas aos porcos e terminar se lameando.
2. O PERIGO DA AUTO-SUFICIÊNCIA.
No livro de Apocalipse, capítulo 3, O senhor Jesus descreve um raio-x da Igreja de Laodicéia e o resultado é surpreendente. Vejamos: “Eu sei as tuas obras, que nem és frio nem quente. Tomara que foras frio ou quente! Assim, porque és morno e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. Como dizes:Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta (e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu), aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças, e vestes brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e unjas os olhos com colírio, para que vejas”
A visão que a Igreja de Laodicéia tinha de si mesma estava equivocada. Pensava ser rica e pomposa; pensava está numa posição privilegiada; pensava está sobejando em tudo e não ter falta de absolutamente nada. Quando foi submetida a avaliação do Senhor Jesus, foi surpreendida com a noticía de que há muito tinha colocado Jesus do lado de fora de sua vida, pois que Jesus diz no verso 20 “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo.”
O diagnóstico de Laodicéia foi que ela era uma igreja desprovida da graça de Deus, miserável, pobre, cega e vergonhosamente nua. Que resultado aterrorizador para esta Igreja! Quão diferente de seu arrogante pensamento acerca de si mesma!
A IGREJA DE LAODICÉIA PENSAVA QUE ERA, MAS NÃO ERA!!!
3. COMO NOS AVALIARMOS HONESTAMENTE.
O salmista Davi nos dá uma lição de como devemos nos avaliar. Ele não pensava que era, mas clamava: “Sonda-me ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos e vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno.” (Sl. 139:23-24).
Mais uma vez no Salmo 26:2 convida o Senhor: “ Examina-me, SENHOR, e prova-me; esquadrinha a minha mente e o meu coração” (Sl. 26:2)
Quem dera essa fosse a nossa atitude como crentes!!!!
O apóstolo Paulo escrevendo aos coríntios exorta-os: “Examina-vos a vós mesmos se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos.” (2 Cor. 13:5).
Alicerçados sobre o que pensamos ser, muitas vezes nos surpreendemos lutando contra Deus.
Tem crente de todo tipo na Igreja pensando que é, quando na verdade se forem submetidos a uma avaliação de Deus veríamos no resultado: sábios aos seus próprios olhos; conformados com este mundo; enfermos na fé; promotores de dissensões e escândalos contra a doutrina; uns que deixam a graça de Cristo e vivem outro evangelho; outros metendo-se debaixo de jugo de servidão; outros mordendo e devorando uns aos outros; cobiçosos de vanglória; fazendo acepção de pessoas; levados por ventos de doutrinas; rebeldes e não reconhecendo os que trabalham na igreja; desordeiros; faladores; caluniadores; desobedientes a pais e mães e muitos outros tipos.
4. A AUTOJUSTIFICAÇÃO LEVA AO ORGULHO
- A ovelha gorda Deus abate (Ez. 34)
- A oração do fariseu e do publicano (Evangelhos)
- A soberba precede à ruína e a altivez de espírito a queda (Provérbios)
- Já estais ricos (I Cor. 4.8)
5. CONCLUSÃO
Que o exemplo da Igreja de Laodicéia sirva de lição para nós. Devemos sempre fazer um auto exame da nossa vida espiritual e sempre levar cativo à obediência de Cristo o nosso pensar, falar, sentir, proceder, permitindo desta forma o trabalhar de Deus nos moldando como vasos na mão do oleiro para chegarmos à forma desejada por Ele, e assim, vivermos no centro de Sua vontade, crescendo na graça e no conhecimento do Senhor Jesus. Devemos, ainda, como Davi pedir para que o Senhor nos sonde e veja se há algum caminho mau, retirando-os de nossa vida e guiando-nos pelo caminho eterno, para que não aconteça de deixarmos Jesus de fora batendo à porta querendo entrar.
Maceió/AL, 08 de agosto de 2005
Adailton Alves de Souza





